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DICAS

5/7/2010 08:32:50
Fascite Plantar
A fascite plantar é uma síndrome degenerativa da fascia plantar, causada por traumas repetitivos no calcanhar. É apontada como a causa mais comum de dor no calcanhar em indivíduos adultos.
Entre os corredores é umas das lesões mais freqüentes, devido a demanda funcional do esporte, que coloca o pé em impacto constante contra o chão.

A palavra fascite assume uma condição inflamatória da fascia, porém, pesquisas recentes sugerem que a fascite plantar não apresenta uma manifestação inflamatória e sim um processo degenerativo.

A fascia plantar é uma camada espessa e fibrosa de tecido conectivo, que se origina do calcâneo e se insere nas articulações metatarsofalangeanas, formando o arco medial do pé. Ela funciona como uma mola atuando de forma dinâmica para absorver o impacto do pé e do corpo como um todo.
Alguns fatores que podem agravar essa situação são os movimentos repetitivos na qual o pé está apoiado no chão, como a corrida e caminhada, que levam a microlesões na fascia plantar.
Em atletas a fascite plantar pode ter diversas origens, muitas vezes as causas são multifatoriais entre as elas estão: - Overuse,Erros de treinamento,Treino em superfícies irregulares, Tênis inadequado,Aumento súbito no volume de treinamento, Fraqueza da musculatura intrínseca, Alterações anatômicas.

Indivíduos com pé plano, na qual apresentam o arco plantar reduzido ou ausente tem maior risco de desenvolverem a fascite plantar, contudo, pessoas com pé cavo possuem um risco potencial devido a inabilidade de dissipar com eficiência as cargas durante a corrida ou a caminhada.

Outras alterações anatômicas que aumentam o risco de desenvolver a fascite plantar incluem discrepância no comprimento dos membros, aumento da rotação lateral da tíbia ou excessiva anteversão do fêmur.

SINAIS E SINTOMAS:
A queixa mais comum é dor na sola do pé, próximo a região do calcanhar, principalmente pela manhã e durante os primeiros passos no dia.

Dor a palpação na porção inferior do calcanhar é um achado comum. Ficar muito tempo em pé, caminhar e correr também são atividades que geram sintomas.

No início as dores podem aparecer somente depois dos treinos, porém com a evolução da lesão as dores se apresentam antes, durante e depois dos treinamentos. Por isso a melhor indicação é que assim que começaram os sintomas, o atleta procurar um atendimento especializado o quanto antes, porque o tempo de recuperação e o prognóstico da lesão são bem melhores e mais rápidos.

TRATAMENTO:
O tratamento na grande maioria dos casos é conservador.

O ideal é procurar um médico e um fisioterapeuta para avaliar cautelosamente o seu caso e identificar os fatores que provocaram a lesão, só assim os resultados serão positivos, não adianta realizar intervenções paliativas, bons resultados são aqueles que tratam a causa do problema.

Entre as condutas estão:
• Tênis adequado: o calçado deve ser prescrito de acordo com o pé e a pisada do atleta, para permitir uma dissipação de carga equilibrda evitando pontos de hiperpressão e sobrecarga na fascia plantar. Além disso deve-se avaliar o grau de absorção de impacto e se o tênis possue um mecanismo eficiente de amortecimento.

• Intervir nas alterações anatômicas: avaliar alterações predisponentes como os tipos de pés, a rotação da tíbia e do fêmur. Algumas vezes o foco do tratamento está no quadril ou nos joelhos.

• Prescrição de órteses e palmilhas: o uso de bandagens, palmilhas corretivas, órteses noturnas (shin splints) para alongamento da fascia, podem ser prescritas e ajudam em muitos casos.

• Fisioterapia: programas de fortalecimento e alongamento são essenciais na reabilitação. O encurtamento da panturrilha e a fraqueza da musculatura intrínseca do pé são achados comuns nos casos de fascite plantar. Massagem e liberação miofascial são condutas eficientes, e o atleta pode fazer em casa massageando com uma bolinha de tênis por 5 minutos. A fisioterapia ainda poderá fazer uso de equipamentos que podem contribuir para a cicatrização e diminuir o quadro de dor.

• Terapia por ondas de choque: essa é uma técnica que pode ser prescrita caso os tratamentos acima não derem resultado, há evidências que esse tratamento pode ajudar na cicatrização e na diminuição do quadro de dor, porém os resultados das pesquisas ainda são controversos, mas pode ser indicado sem problemas para se evitar um procedimento cirúrgico.

A cirurgia dever ser indicada como último recurso, na qual se realiza a fasciotomia. Os resultados são positivos entre 70 e 90% dos casos.

Em suma a fascite plantar é uma condição auto limitante e que pode afastar o corredor dos treinamentos. Uma intervenção precoce com acompanhamento especializado apresenta altos índices de sucesso e o afastamento eventual dos treinos por curtos períodos. Cuide de sua saúde e tenha uma boa corrida!
 Ft.Esp.Edgar Nunes

-Graduado pela PUC-Campinas

-Especialista em fisioterapia esportiva pela CETE – UNIFESP

-Especialista  em reabilitação no Aparelho locomotor – UNIFESP

-Fisioterapeuta da clínica Dr. Osmar de Oliveira

-Coordenador do programa de Fisioterapia Esportiva da SINIFISO - Hospital Santa Catarina

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